Como uma cia aérea transformou choro de bebê no melhor som pra se ouvir durante o voo

Ficar horas dentro de um avião que tem um bebê aos berros na lista de passageiros não é nada divertido. Ser a mãe do pequeno esgoelante em questão, acredite, é pior ainda. O choro de um ser-humanozinho, quando realmente revoltado, pode atingir impressionantes 110 decibéis o que deixa qualquer um desorientado e faz com que a mãe considere pedir um paraquedas pra continuar a viagem por conta própria de tanta vergonha.

Mas a JetBlue, companhia aérea americana, fez uma homenagem ao dia das mães que conseguiu acabar de vez com esse climão e deixou todo mundo satisfeito da vida com o fato de ter um bebê a bordo. Bom, pelo menos durante um dos voos. Olha só:

Achei demais. Pra ficar mais fofo, só se eles pensassem um esquema de pontuação a la Monstros S.A, em que o riso vale mais que o choro, e dobrassem o desconto a cada infanto-gargalha que acontecesse no trajeto. Ou cada vez que alguém se voluntariasse para uma troca de fralda naquele nano-banheiro ou que carregasse as malas da mãe. Tá bom, já virou um programa de milhagem, rs. Parei.

É isso. Feliz Dia das Mães!

A dica do vídeo foi da Tainá Alvarenga. 🙂

 

 

Quer saber? Eu vou sozinho. | A jornada desse cara pela Islândia prova que você nunca deve desistir de uma viagem por falta de companhia

Uma trilha de 80km a pé, sete dias de road trip, oito dias sem internet nem telefone, e uma derrapagem que quase acaba penhasco a baixo, com direto a um lago congelante no final. Tudo isso sozinho da Silva, num país de vulcões e geleiras, onde o povo é descendente de viking e come baleia no jantar. Você encararia? O André Öberg encarou. E o resultado, além de fotos incríveis e muitas reflexões, foi este filme de 4 minutos que deixa a gente de queixo caído com a lindeza da Islândia. Dá o play:

Antes de papear com o André sobre essa viagem, meu conhecimento sobre a Islândia não ia muito além da Björk e do vulcão que entrou em erupção em 2010 e cujo nome – Eyajafjallajökll –  talvez consiga pronunciar numa próxima vida. Mas, só pra dar um panorama, a Islândia é um país escandinavo, com território um pouco menor do que o de Minas Gerais ( <3 ) e tem pouco mais de 300 mil habitantes, sendo que 200 mil deles moram na capital Reykjavik ou Reiquiavique, escrevendo aportuguesadamente.

reiquiavique capital islândia

Além de islandês, lá quase todo mundo fala inglês. Os islandeses em geral são receptivos e cultos pra caramba. Pra você ter uma ideia, 10% da população tem pelo menos um livro publicado. Isso porque a Islândia foi povoada por vikings que eram tradicionalmente contadores de histórias e aí esse costume acabou ficando com a galera de lá até hoje.

Eles são um dos países mais pacíficos e seguros do mundo. Ideal pra quem quer viajar sozinho. Durante o ano todo, a Islândia fica quase inteira coberta de neve que só derrete quando chega o verão, entre maio e agosto. O que mais? Um dos pratos típicos deles leva carne de baleia. Ahan. Free Willyzinhas. Eu achei meio triste, mas cultura é cultura. E o André disse que é uma delícia. Se você quer saber o que mais o André viveu durante a sua jornada pela Islândia, é só ler a esta entrevista aí embaixo.
Alone in Iceland

Ah! Antes de começar pra valer, é importante falar que o André é publicitário e fotografo e todas essas fotos incríveis são dele. Agora pronto. Vamo lá:

  • Primeiro de tudo, por que a Islândia?

André: Eu ouvi muito na época em que estava planejando a viagem “O que é que tem a Islândia?” O que você vai fazer lá?” Mas minha história com a Islândia começou há muito tempo. Quando eu tinha uns 9 ou 10 anos, meu pai me deu a coleção dele do Julio Verne e o primeiro livro que eu li foi Viagem ao Centro da Terra, que se passa na Islândia. Desde essa época a Islândia ficou na minha cabeça. Bem mais tarde, quando eu comecei a me interessar por fotografia, pesquisando fotógrafos de paisagem, eu vi que a galera ia muito pra lá. No verão, a Islândia é o paraíso dos fotógrafos porque, além da diversidade de paisagens, lá o sol se põe meia noite e nasce 3h da manhã. Então é muito tempo de luz e muito tempo de luz lateral, que é muito legal pra fotografar.

geleira na islândia

  • E por que você resolveu viajar sozinho?

André: De início eu não queria ir sozinho. Queria ir com amigos e alguns até toparam. Mas ir pra Islândia não é simples e também não é muito barato. Quando as pessoas separam uma grana pra viajar, dificilmente a Islândia vai estar na lista. E aí os amigos foram desistindo. Mas assim que eu percebi que a viagem estava em risco porque ninguém mais topava ir eu falei “Quer saber? Vou sozinho.”

penhasco islândia viajar sozinho

  • Você já tinha feito alguma viagem sozinho antes?

André: Não desse porte. Essa foi uma expedição. E o legal é que, como eu estava sozinho, num lugar com muito pouca gente, eu passei por problemas que eu nunca imaginei passar e isso tornou a viagem muito mais interessante do que ela poderia ser.

  • É? Como assim?

André: O interessante de uma viagem é que você tem que lidar com o desconhecido o tempo todo. E, quando você tá sozinho, isso se amplifica de uma forma absurda porque você passa a ser um desconhecido pra você mesmo. Você sai de todas as suas zonas de conforto e se comporta de uma forma que você não está acostumado.

viajar pela islândia

  • E agora você sente que se conhece melhor?

Sim. Melhor, diferente. Foi algo que nunca tinha feito antes, você reage de forma que não está acostumado e se surpreende. Positiva e negativamente. Mas com certeza, o que mais aprendi foi a lidar com o medo e a insegurança. E melhorei meu desapego também.

Trilha islândia

  • Qual foi a melhor parte de viajar sem companhia?

André: Uma das melhores partes de viajar sozinho foi me obrigar a conhecer muita gente. Eu sabia que não conseguiria passar tanto tempo sem ter comunicação com ninguém. Eu devo ter conhecido umas 30 pessoas  durante a viagem. Foi como viajar com várias pessoas em momentos diferentes. Outra coisa legal foi que a viagem foi 100% minha. Eu controlei totalmente o meu tempo, o que não aconteceria se tivesse mais alguém comigo. Como eu parei muito pra fazer filmagem, time lapse, quem estivesse me acompanhando com certeza ficaria de saco cheio, por exemplo.

viagem pela islândia

  • Teve algum momento em que você quis ter algum amigo ali do lado com você?

André: Ah, vários momentos. Durante a viagem eu fiz uma road trip e rodei 3,500km em 7 dias. Eu via momentos maravilhosos e sentia a necessidade de conversar com alguém. Depois de 4 dias na solidão da estrada, eu conversei várias vezes com o carro, falava sozinho, falava com amigos como se eles estivessem ali do meu lado. Foi engraçado.

  • Você chegou a ficar 100% incomunicável?

André: Durante a road trip foram 8 dias sem internet, sem telefone, sem nada. Foi por opção minha, pra ter um momento de reclusão. Eu tinha um GPS pra contactar o resgate e salvamento de Reiquiavique e, apesar de ter passado perrengue, eu não cheguei a precisar.

paisagens islândia viajar sozinho

  • Conta esse perrengue aí…

André: Aconteceu porque eu queria chegar até o Noroeste da Islândia, que é o lugar menos povoado. Eu já tinha dirigido por oito horas seguidas, estava muito cansado e ainda faltavam três horas pra chegar. Mas eu não queria abrir mão daquele lugar de jeito nenhum. Foi aí que o GPS me indicou um caminho que não tinha no meu mapa físico e passava por cima das montanhas. Parecia arriscado, mas por esse atalho, eu chegaria em uma hora e meia em vez de três. O sol tinha se posto havia pouco tempo, nasceria em meia hora e eu me empolguei com a possibilidade de ver tudo isso de cima da montanha. Era uma estradinha de terra fofa e, quando comecei a subir, vi que tinha uns focos de neve pelo caminho. Eu não estava com o carro preparado pra andar na neve. De repente, eu me deparei com uma curva toda coberta de neve e, no susto, fiz o que eu não deveria ter feito: atochei o pé no freio. Comecei a derrapar, do lado de um desfiladeiro com um lago imenso lá embaixo. Só consegui parar muito perto de cair. Nesse momento, eu saí do carro, andei um pouco, olhei o desfiladeiro, depois  fiquei uma hora sentado no chão, pensando na vida. Fiquei questionando o que eu estava fazendo e se realmente precisava passar por isso. Mas quando o perrengue passa e vira história pra contar, você acorda no dia seguinte pronto pra fazer tudo de novo.

cachoeira Islândia viajar sozinho

  • Eita!E depois disso tudo, mudou alguma coisa no seu jeito de pensar?

Com certeza mudou. Principalmente por ter ficado tanto tempo sem comunicação. Quando eu decidi ficar sozinho, abrir mão de tecnologia, eu vivi um outro tipo de rotina e vi que certas coisas não me fazem falta. Eu não senti saudade de coisas que eu tinha certeza que sentiria. Quando eu voltei, passei a me relacionar com tudo de uma forma diferente. Não deixei de usar nada, claro. Mas a relação é diferente. Eu também pensei em uma série de outras coisas que eu julgava serem importantes e vi que são importantes, mas não tanto. Principalmente em relação ao trabalho.

viagem de carro pela islândia

  • Você contou que conheceu bastante gente. Ficou alguma amizade pra depois da viagem?

André: Sim. Nos quatro primeiros dias que eu fiquei em Reykjavik, me hospedei na casa de uma família: a Rosa Björk, o marido dela, a filhinha deles de 10 anos e dois chihuahuas. Fiquei amigo do cinco. Além deles, no primeiro dia da trilha Laugavegurinn, conheci um outro fotógrafo, um sueco chamado Fred, e nós mantemos contato até hoje. Ele me ensinou a identificar os lugares na trilha onde o gelo era fino. Eu sou carioca e pra mim, gelo é só na geladeira. Não entendo nada disso. Mas o Fred me explicou que, por causa da atividade vulcânica do lugar, tem muita fumaça saindo do chão. As vezes a neve cai e cobre isso enquanto a fumaça vai derretendo a neve lá embaixo, formando cavernas de gelo. Como você tá em cima, não dá pra ver. Se não souber identificar, você corre o risco de cair numa dessas cavernas. Saber disso deixou a trilha muito mais segura pra mim.

mar islândia viajar sozinho

  •  Agora conta sobre o Alone in Icenad (o filme que tá lá em cima no começo do post ou aqui nesse link)

André: Fazer um filme assim era uma vontade antiga, desde 2011, quando eu viajei pra Escócia e pro Peru. Eu já tinha feito uma tentativa, mas não ficou muito boa e eu nem cheguei a concluir. Mas, dessa vez, na Islândia, eu decidi levar a sério. Pesquisei, estudei, fiz vários testes aqui antes de viajar, mas não pensei muito em que estilo iria usar, deixei rolar na hora. A ideia era ser um reflexo de tudo o que eu vivi na viagem. Eu fui com muito pouco equipamento e sem ajuda. E nos dias de trilha, carregar um tripé não foi muito agradável. Mas valeu o sacrifício. Apesar dos defeitos que eu vejo, fiquei bem satisfeito com o resultado e o feedback foi bem legal. Quando eu postei no Vimeo, eu tinha uma expectativa de uns 1 mil ou 2 mil views no máximo. Dois meses depois, já tinha 50 mil. Teve muitos comentários, inclusive de fotógrafos que eu admiro e pessoas que já tinham ido pra Islândia. Teve muita troca a eu fiquei surpreso porque muitas pessoas que eu não conhecia que vieram falar do filme, me mandaram e-mail, vieram falar comigo no Facebook. E isso me motivou a  fazer outros planos e até pegar esse projeto e levar pra outro nível.

por do sol islândia

  • Você viajaria sozinho outra vez, né?

Sim. Na verdade, eu tenho planos de viagem na cabeça e todos envolvem alguém. Mas se eu começar a planejar e ficar sem companhia, vou replanejar pra fazer sozinho. O que eu acho importante é não perder a oportunidade de viajar.

  • Pra onde você tá pensando em ir?

São quatro planos pras próximas viagens:

Nova Zelândia – assim como a Islândia é um país bastante pacífico. São menos preocupações em relação a estar seguro. Iria sozinho amarradão.

Do Atacama à Patagônia – descer de carro, do deserto de sal até as geleiras.

Sudeste Asiático – Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã. Essa tá bem na moda, mas dá pra fazer de um jeito diferente.

Irlanda de bike – dar a volta pelo país de bicicleta, misturando todas as paisagens verdes irlandesas com as cidades, os pubs e a cerveja.

expedição islândia

  • Pra encerrar, dá umas dicas pra quem tá pensando em viajar sozinho.

Duas coisas muito importantes pra quem quer viajar sozinho:

1 Planejamento

Quando você está sozinho você precisa de segurança e o que dá segurança é o seu nível de planejamento. O legal é fazer um planejamento que possa ser quebrado. Planejamento  não é pra ser seguido à risca e sim pra você maximizar o tempo que você tem durante a viagem. Quanto mais minucioso o planejamento for, mais possibilidades ele abre pra viagem ser diferente do que você planejou. Porque se não, quando  voltar, você vai ver que sua experiência poderia ser cinco vezes mais do que ela foi e isso gera uma frustração desnecessária.

Durante essa fase de planejamento,  conheça pessoas locais ou que já viajaram pro mesmo lugar que você quer ir. Mande e-mails, pergunte, se informe, peça dicas, tire dúvidas sobre a cultura, costumes, comida etc. Esse contato enriquece muito a viagem e é umas das partes mais legais de se planejar.

2 Silêncio

Estar sozinho gera um processo de silêncio. Mesmo que você fale sozinho ou pense muito durante na viagem, você fica com tudo aquilo pra você e ali na hora, não tem como dividir com ninguém. O que eu indico é pegar esse silêncio e transformá-lo em alguma coisa: ou escrever, fazer um filme, fazer fotos, fazer um blog, pense numa forma de extravasar tudo o que fica dentro de você.

  • Oh! Fechou com chave de ouro. Obrigada, André!

barrinhaDemais, né? Se você se inspirou e tá pensando em ir pra Islândia também, aqui vai o roteiro que o André fez:

4 dias em Reiquiavique pra se adaptar ao ambiente e à cultura.

8 dias na estrada, percorrendo 3.500km

5 dias na Trilha Laugavegurinn – 80 km a pé, dormindo acampado ao longo do caminho.

2 dias de Reiquiavique de novo, pra se despedir.

E como bônus, o André deixou o link de um mapa da Islândia com os melhores lugares para tirar foto.

alone in iceland27

Pronto, gente! Beijo e boa viagem.

Ah! As mulheres que estão pensando em viajar sozinhas vão gostar desse post sobre Duas Amigas Rumo aos Países mais Perigosos para mulheres.

 

Tagged , ,

5 sinais de que você é um viajante em crise de abstinência

Viajar é um troço que vicia, não é não?  A dromomania (nome estranho que se dá para o vício em viagens) é uma condição crônica e altamente contagiosa, contraída em aeroportos ou estradas e agravada por amigos que postam fotos de viagens redes sociais enquanto a gente  sofre de tédio em casa, na aula ou no trabalho ;P Quem padece desse mal sabe que quando abstinência bate, meu amigo viajante, ela bate sem dó e judia o coração da gente. Talvez você fique tão agoniado que não entenda bem o que está acontecendo. Mas existem 5 sinais bem fáceis de identificar numa crise típica de quem está há tempo demais sem viajar. Olha só:

vício em viajar

E aí? Tá grave a sua abstinência viajante? Eu tô roendo as unhas por aqui. Ih! Será que isso é outro sintoma? Se eu sobreviver até a próxima viagem talvez eu descubra.

Pra aliviar a agonia, dê uma olhada nas 5 Dicas Simples pra Quem Quer Viajar Mais.

Gabriela Outros Roteiros  Clique na fotita pra acompanhar a gente no Instagram.

 

P.S: Conheci o termo dromomania no blog To Longe de Casa. Vale o click.

 

Tagged , ,

Mês das Mulheres Viajantes | Ela trouxe o mundo pra dentro de casa e abriu sua casa pro mundo Conheça a sensacional Eva Klabin

eva klabin praia

Quando Eva Klabin ainda era adolescente, ela começou uma coleção. De sapatos? De bolsas? De namorados? Não, gente. De obras de arte. Suas primeiras peças foram duas pequenas telas do pintor holandês Glauber e daí pra frente ela não parou mais. O acervo cresceu tanto que chegou a mais de 2mil itens, pensa só.

coleção eva klabin

Ela nasceu em 1903 em uma família de imigrantes lituanos que chegaram a São Paulo no começo do século XX e fundaram as indústrias Klabin de papel e celulose. Como os negócios iam de vento em popa, Eva pode estudar na Suíça, na Alemanha e em NY, e teve a chance de refinar sua paixão pela arte.

Em 1933, ela se casou com o advogado e jornalista Paulo Rapaport e foi de mala e cuia para o Rio de Janeiro. Eles compraram uma casa, em 1952, na recém urbanizada Lagoa Rodrigo de Freitas e Eva foi aos poucos ocupando cada cômodo com peças da sua coleção, que sempre acabavam virando assunto nos jantares e reuniões que o casal oferecia em casa. Tudo ia bem na vida da nossa amiga, até que o Paulo faleceu e Eva passou um tempo bem triste, quietinha superando seu luto.

Mas depois que essa fase acabou, ela que já gostava de festa, resolveu que ia aproveitar a vida com tudo o que ela tinha direito e principalmente com o que ela não tinha, porque no fim dos anos 50 mulher não tinha direito a muita coisa não, viu? Mas ela não tava nem aí pro que diziam. Eva tinha amigos boêmios e artistas e resolveu transformar sua casa num QG pra turma. Ela oferecia jantares que começavam depois da meia noite e chegou a receber Jucelino Kubitschek e até David Rockfeller em suas festinhas. Os arranjos de flores que decoravam os ambientes eram cortesias criadas com exclusividade pra ela pelo amigo Burle Marx. Fina ou não?

eva klabin festas

Além de ter uma vida social super hiper intensa, Eva Klabin que sempre gostou de passear mundo a fora, se tornou uma viajadeira de marca maior e rodou o globo atrás de peças pra ampliar sua coleção de arte. Ela frequentava leilões e saída procurando antiquários pelos quatro cantos desse planeta.

eva klabin viagens

Presta atenção em alguns dos lugares pelos quais ela passou/frequentou procurando arte e me diz se não é de dar inveja:

viagens eva

E como esse negócio de viajar vicia, ela também fez um cruzeiro de volta ao mundo no famoso navio Queen Elizabeth II. Aliás ela adorava um navio. Teve até uma exposição chamada Viagens de Eva em 2012 (e bem que poderia ter uma reedição porque eu perdi) que mostrava todas as  lembranças dos cruzeiros que ela já fez.

hall principal corte

Com tantos destinos tão inspiradores pra quem gosta de arte, não é de se estranhar que a coleção de Eva tivesse crescido tanto. Pra abrir espaço pra todas as mais de duas mil peças que vão de objetos decorativos bem pequenos até móveis e telas enormes, ela teve que reformar a casa.  Foram sete anos de reforma até que tudo ficasse como ela queria.

Ao longo do tempo, Eva foi nutrindo a vontade de compartilhar a sua paixão com mais e mais gente e decidiu que abriria sua casa para o público. Em 1990, ela realizou seu sonho e inaugurou a Fundação Eva Klabin – FEK – e seu lar-artístico-lar se tornou uma das mais ricas heranças já deixadas pra cidade do Rio de Janeiro.

Aliás, se você estiver passeando pelo Rio e for dar uma volta na Lagoa, repare numa casa antiga de esquina que resistiu entre os prédios, perto do Corte do Cantagalo. Nem dá pra imaginar que lá dentro tem um panorama da arte do mundo inteiro, de várias culturas, do Egito Antigo ao século 19. Se eu fosse você, tiraria uma tarde pra fazer uma visita, apreciar a coleção e aproveitar a programação cultural da fundação, que é bem legal.

Fundação Eva Klabin FEK

A casa-museu é tão cheia da personalidade da dona que, se você for bom de imaginação, dá até pra ver a Eva sentada na sua poltrona preferida, ouvindo um sonzinho, tomando seu whiskey e pensando na vida. Então passa lá porque, graças a ela, as portas estão sempre abertas. Sempre não, né? De terça a domingo, das 14h às 18h.

Ah! Se você gosta de arte contemporânea, é bom ficar de olho no Projeto Respiração, que tem curadoria do Márcio Doctors e convida artistas pra fazerem intervenções na casa da Eva, formando uma ponte entre a arte clássica da coleção e as manifestações artísticas de hoje.

É isso. Espero que você tenha gostado de conhecer a Eva tanto quanto eu gostei.

: )

Postado por Gabriela Alvarenga

Gabriela Outros Roteiros  Clique na fotita pra acompanhar a gente no Instagram.

Tagged , , ,

Mês das Mulheres Viajantes | Duas moças rumo aos 10 países mais perigosos para mulheres

A Joana e a Paula têm um plano. Elas vão arrumar as malas e visitar, um por um, os 10 países mais perigosos para mulheres viajantes, segundo o IWTC. Eita! Mas pra que isso, gente? Vão se arriscar assim a troco de quê? Não é melhor ficar quietinha em casa? Não. Não é. Nem adiantaria, já que o 4° colocado da lista é o nosso Brasil brasileiro. E, se elas ficassem quietinhas, nós não poderíamos assistir ao Voo Solo, o documentário que vai retratar toda a jornada das duas e tentar responder por que as mulheres não são assim tão livres pra viajar mundo a fora.

viajar sozinha

Só pra esclarecer: nesta lista, o IWTC – Internacional Woman´s Travel Center – classifica os países mais prováveis de serem procurados como destinos turísticos, levando em conta o quão violentos e desagradáveis eles podem ser para mulheres. Os critérios são índices de criminalidade, assédio, perseguição e estupro. Credo. Como a Joana bem destacou, o fato de existir um guia que ranqueia os países mais perigosos, e os menos, para mulheres é algo impressionante. Se você tem um amigo que vai para Índia (o 1° lugar do ranking), por exemplo, ele pode ter uma série de preocupações, mas, com certeza, ser estuprado não é uma delas. O Voo Solo tá aí pra retratar essa que é a nossa realidade.

A ideia do projeto surgiu em novembro de 2015, enquanto a Joana participava de uma mentoria para mulheres empreendedoras do Think Olga, uma ONG de Empoderamento Feminino. Por uns meses, o projeto ficou meio de lado, mas quando surgiu a notícia das estudantes argentinas assassinadas no Equador, ela percebeu que não dava pra deixar engavetado. E foi aí que a Paula entrou na história. Ela estava procurando oportunidade de participar de algo realmente importante quando a Joana fez o convite. As duas trabalharam em dupla em uma agência de publicidade e resolveram largar tudo pra fazer o Voo Solo acontecer.

O documentário vai ser viabilizado por crowdfounding e a viagem está marcada pra julho agora. As duas vão começar pelos países mais perigosos para mulheres viajantes nas Américas: Brasil, Colômbia, Venezuela, Honduras e México. Depois seguem rumo à Índia, Turquia, Quênia, Arábia Saudita e Egito. Elas vão conversar com turistas, coletivos feministas e mulheres locais pra entender por que esses países são tão perigosos para mulheres, as suas e as estrangeiras.

Eu me identifiquei 100% com o tema, fui atrás das meninas pra fazer uma entrevista e compartilhar aqui. Dá uma olhada:

Joana Mendes e Paula Reis Voo Solo

 

  •  Vamos começar com uma pergunta machista: algum gentil e bravo cavalheiro vai junto para defendê-las?

Joana: Nope. Sem bravo e gentil cavalheiro. A ideia é que tudo seja feito só por mulheres. Uma amiga até sugeriu ter um homem de equipe de apoio, que era loucura viajar assim. Só que acho que perde a legitimidade do projeto. MAS, a gente já correu atrás de um curso que tem em São Paulo que se chama: Defesa Pessoal para Minas. Só de pensar que a gente tem que recorrer a defesa pessoal, mesmo pra viver o dia-a-dia, é algo que já traz alguns questionamentos a respeito da sociedade que a gente vive. A Paula já ameaçou que vai levar uma arma de choque e um spray de pimenta. Veremos…

 Paula: O nosso objetivo além de documentar, é ter um trabalho que consiga captar esse “perigo” também durante o processo. Vamos evitar nos arriscar em situações mais perigosas, mas um gentil e bravo cavalheiro não é uma opção que caiba na nossa história.

  • Como tem sido a reação das famílias de vocês? Tem mais torcida ou mais pé atrás?

Joana: Sabe que eu não contei pros meus pais ainda? Apesar da minha irmã saber e apoiar. Acho que não vai haver muito problema. A minha mãe morou uns 3 anos na Venezuela, que está no ranking, quando eu era criança.

Atualização: A Joana acabou de contar sobre o Voo Solo pra mãe dela, que disse: “minha filha, meu coração até parou agora.”  mas acabou apoiando, com o clássico “se cuida”.

Paula: A minha família não sabe. Prefiro poupar minha mãe por enquanto da preocupação. Mas tenho certeza que terei apoio.

  • Só de divulgar o Voo Solo, muitas mulheres já dividiram com vocês os constrangimentos/perrengues/perigos que passaram durante suas viagens. Quais dessas histórias foram mais marcantes?

Joana: Pra mim, foi de uma mulher que é da periferia da São Paulo e faz parte de um coletivo chamado Nós, Mulheres da Periferia. Eu quis entrevistá-la por ela sair do recorte “classe média brasileira”. Ela me disse que a perseguiram no Uruguai e, por ser negra, gritavam: morenaça, morenaça. Ela não saiu a noite no país, por ter ficado com medo. Como negra, isso me deixou bastante incomodada, porque, se existe o aprisionamento da mulher, o da mulher negra pode ser ainda maior.

Paula: Eu ainda não consigo identificar uma história mais marcante, todas as pessoas que conversaram comigo são muito amigas e sofri muito junto com todas, ouvindo seus desabafos.

  • Existe algum cuidado específico que é preciso tomar por país ou região? Ou os pontos de atenção são sempre os mesmos?

Existem os cuidados básicos tipo, não fale com estranhos, não aceite carona, não durma na casa de desconhecidos. O que é complicado também, já que você vai para um país estrangeiro pra conhecer o mundo do outro. A gente vai viajar pelas Américas primeiro, então, ainda não existem TANTOS cuidados específicos, como os que a gente já toma para viver no Brasil. Vamos nos atentar mais para isso quando formos para a Índia, Arabia Saudita, Quênia, Turquia e Egito, que são os outro cinco países mais perigosos e são países muçulmanos ou com forte influência religiosa (tipo, o Brasil :)). Ah, existe tomar vacina pra febre amarela também e não tomar água da torneira no México.

  • Dá pra diferenciar o que é um posicionamento de mulher confiante e o que é uma afronta à cultura local?

Joana: Ser mulher numa sociedade machista já uma afronta, né? É uma luta diária para você se posicionar. Agora, ser mulher de classe média é uma coisa. Ser mulher preta, da periferia, do sertão, é outra. Posso falar do meu recorte como preta brasileira de classe média, que a gente afronta a cultura local vestindo o que a gente quiser, xingando os caras que nos cantam na rua, escolhendo não casar, trepar com quem quiser, usando o cabelo sem alisar, indo para os países mais perigosos do mundo. Eu acho que a confiança surge por você dizer: não vou me sujeitar a regras que foram criadas pra me tolir, mesmo sabendo dos riscos que posso correr. Também acho que ser uma mulher confiante vem da afronta à cultura local, quando a cultura local te trata como cidadã de segunda-classe. Alguém tem que abrir o mato pra subir o prédio. Agora, essa diferença dentro de um outro recorte, já não tenho propriedade para falar. Sugiro um doc chamado “Severinas” que fala do empoderamento da mulher sertaneja depois do Bolsa-família.É bem lindo e feito por uma mulher.

  • Dá pra diferenciar precaução de paranoia? Ou melhor, dá pra viajar sozinha e se divertir de verdade?

Joana: É uma linha muito tênue e, talvez, só dê para diferenciar quando você é do país ou conhece alguém dali. Por exemplo, o guia que classifica os países mais perigosos, diz que existem assaltos no Brasil por motoboys e que SE VOCÊ TIVER que ir ao Brasil, vá a Natal. Para mim, brasileira, é engraçado ler isso, mas uma turista pode evitar as demais cidades do Brasil depois de ler essa notícia. Acredito que seja paranoia quando você toma precauções que vão além do que você faria em outra viagem, do que é norma no país e situações do seu dia-a-dia. Dá pra viajar sozinha e se divertir, sim. Eu viajo muito sozinha e sempre me divirto. Grande parte das amizades gringas que eu tenho, fiz viajando. Agora, não sei se eu me diverti DE VERDADE, como um cara se divertiria ou se só tinha uma ignorância maravilhosa e nunca soube o que era diversão mesmo.

 Paula: É até estranho responder isso, mas eu NUNCA viajei sozinha. Fui criada com muita paranóia e medo, obviamente isso influenciou minhas escolhas. Não tenho como responder, mas sei que com o Voo Solo vou me libertar de todos os medos e ser uma viajante confiante após esse processo, esse também foi um motivo pelo qual amei o convite da Jo. Além de estar ajudando milhares de mulheres, estarei ajudando a mim mesma.

  • Do que vocês têm mais medo?

Joana: Sem dúvida, estupro e ser torturada. Se morrer de um susto, de um desastre natural, acho que poderia acontecer em qualquer lugar. Mas estupro é um crime de ódio que deixa marcas extremas. Então, voto nele. E, veja só, acho que um homem, dificilmente, responderia isso.

 Paula: Concordo totalmente com a Joana. Acho que qualquer tipo de agressão, seja verbal ou física é traumática. Mas estupro com certeza está em primeiro lugar.

  • Se o bicho pegar, como vocês pretendem pedir socorro?

Joana: Eu falo inglês e espanhol fluentemente, Paula fala inglês fluentemente também. A gente se garante na hora de se comunicar. Além disso, a Embaixada Brasileira é bem presente em todos os países, temos a polícia, que eu tenho certo receio em confiar, mas temos e vamos sair daqui com seguro-saúde comprado, por que não existe só a violência, a gente pode cair, se machucar e seguro dos equipamentos também, caso sejamos roubadas.

  •  De que tipo de ajuda vocês precisam pra levar o Voo Solo pra frente? Como faz pra ajudar?

Dinheiro e divulgação. Nós dividimos o projeto em duas etapas: vamos a cinco países até junho, finalizar a primeira fase e ir aos outros cinco. É uma viagem bem cara. Nós vamos deixar nossos empregos para ir e precisamos receber um salário também. Além disso, estamos pensando em levar outra menina, que esteja bem por dentro da linguagem de documentário. Então, todo mundo tem que receber, viajar, descansar, comer. Depois, tem a pós-produção, edição. Enfim, se alguém tiver lendo e quiser doar as passagens, já vai ter contribuído para uns 50% do funcionamento do projeto. E, nós vamos entrar em crowdfunding em abril. Quem quiser doar nessa etapa, já guarda o dinheiro que estamos pensando em contrapartidas super legais.

  • Por onde a gente pode acompanhar a jornada e interagir com vocês ao longo dela?

Por enquanto, pelo facebook.com/voosolodoc, mas vamos criar novos canais tipo: site, Instagram, Periscope, Twitter, Snapchat, o enxoval inteiro. : )

  • O que vocês  esperam que fique de mensagem no final do Voo Solo?

Esperamos que fique o questionamento sobre a liberdade e a opressão sobre o corpo feminino. A gente vive cercada de não-podes, somente, por vivermos em sociedades machistas. Existem linhas invisíveis, mas que são muito claras para as mulheres e recados que são dados por essa sociedade que vão desde código de vestimenta à mutilações e feminicidio. Então, queremos que fique o questionamento e que criemos discussões sobre o quanto é difícil nós sermos, verdadeiramente, livres.

 voo solo

Demais, né? Espero que logo logo eu possa postar novidades sobre o Voo Solo por aqui.

É isso.Obrigada pela entrevista, parabéns pela coragem e boa viagem, meninas!

E você que tá lendo, clique aqui pra seguir o Voo Solo no Facebook.

 

: )

Postado por Gabriela Alvarenga

Gabriela Outros Roteiros  Clique na fotita pra acompanhar a gente no Instagram.

 

Tagged , , , ,

Mês das Mulheres Viajantes | A incrível história de Amelia Earhart

O mês de março no Outros Roteiros vai ser sobre mulheres viajantes. Aqui a gente vai papear sobre grandes viajadeiras que fizeram história ou que têm grandes histórias de viagem pra contar.

Pra começar, vamo ali comigo até o iniciozinho do século passado pra conhecer uma moleca magricela que cresceu e se tornou um ícone da aviação.

Amelia

O nome dela era Amelia Mary Earhart e ela nasceu no Kansas – Estados Unidos, em 1897, uma época em que as mães treinavam suas filhas para se comportar como princesas e se parecer com bonecas de porcelana. Mas, em vez disso, Amelia e sua irmãzinha vestiam calças folgadas pra poder subir em árvores, descer de trenó morro abaixo, correr pra todo lado com joelhos ralados, descabeladas e felizes da vida. Elas tinham uma coleção de insetos, exploravam a vizinhança e caçavam ratos com um rifle. Se isso não é girl power eu não sei o que é ; ) A família Earhart era bem prafrentex, incentivava o espírito de aventura e acreditava que crianças tinham que descobrir o mundo, sem se importar com o fato de serem meninos ou meninas. Crescendo numa casa assim, não é de se estranhar que Amelia não estivesse nem aí pras convenções e preconceitos da época e decidisse se tornar aviadora, mesmo que a profissão fosse vista como coisa de homem. De homem bem macho, na verdade.

Amelia Earhart infância irmã

Agora volta aqui pra 2016 e para pra pensar. Quantas vezes na vida você voou num avião pilotado por uma mulher? Eu voei uma vez só e achei sensacional ver uma moça de cap na cabine de comando. Imagina o que isso causava na cabeça do povo nos anos 20 e 30? Era um frenesi ensandecido. A coragem e o carisma da Senhorita Earhart impressionavam tanto que ela se tornou uma super celebridade internacional.

Só que antes da fama decolar, a menina do Kansas teve que caminhar um bocado. Amelia se formou no colégio e foi pra faculdade estudar mecânica, depois medicina, mas não concluiu nenhum dos cursos e resolveu trabalhar como enfermeira da Cruz Vermelha no Canadá para socorrer os soldados que voltavam da Primeira Guerra Mundial. Dizem que foi observando os aviões militares que ela começou a se interessar pelas fantásticas máquinas voadoras.

licença de voo Amelia

Mas só depois de pegar carona num avião pela primeira vez, em 1921, que ela enfiou na cabeça que faria carreira na aviação. E não sossegou até conseguir. Trabalhou como fotógrafa, motorista de caminhão e telefonista, até que juntou dinheiro suficiente pra pagar pelas suas primeiras aulas de voo, em Long Beach – California, incentivada pelo seu pai. No campo de pouso, ela se aproximou de uma aviadora experiente chamada Anita Snook e disse: Quero voar. Você me ensina?

Ameliaearhart anos 20

Amelia se mostrou muito boa aluna e tomou tanto gosto por voar que juntou dinheiro de novo e, com ajuda da mãe e da irmã, comprou seu primeiro avião: o Canário . Ele foi batizado assim porque era pequeno e todo pintado de amarelo brilhante. Pouco mais de um ano depois, Earhart bateu um recorde mundial voando a 14000 pés, mais alto o que qualquer outra aviadora já tinha voado até então.

Mas bem quando a carreira estava começando a decolar, Amelia teve que fazer um pouso forçado. Lá pra 1924, ela ficou mal de sinusite e de dinheiro, tudo junto, chegando ao ponto de ter que vender o Canário e dar um tempo longe das hélices. Ela conseguiu um emprego como professora e mais tarde como assistente social, mas apesar dos pesares, nunca abandonou totalmente sua paixão e passou a escrever sobre aviação para jornais da época, além de investir no projeto de uma associação para pilotos femininas. Ela foi levando seu sonho assim, do jeito que dava, nos bastidores, até que em 1928, Amelia recebeu uma ligação dessas que viram a vida de cabeça pra baixo.

amelia_earhart

 – Alô! Senhorita Earhart, quer ser a primeira mulher a atravessar o Oceano Atlântico de avião?

Quem fez a proposta foi Hilton H. Railey, um dos coordenadores de um projeto patrocinado por Amy Phipps Guest, uma socialite que adoraria realizar o feito ela mesma, mas preferiu que encontrassem uma moça corajosa de verdade pra ir em seu lugar.  Pra você ter uma ideia do quanto a empreitada era arriscada, só o piloto Charles Lindberg já tinha feito esse voo e nenhuma alma viva antes dele. Nessa época, avião era novidade, todo mundo cruzava o mar de navio. Mas quem disse que Amélia era mulher de pedir arrego? Não pensou nem meia vez, topou a proposta na hora.

O que ela não sabia é que ela iria sim ser a primeira mulher a cruzar o Atlântico num avião, mas como passageira. Ela passou 20 horas sobrevoando um mundo de água entre os Estados Unidos e o Reino Unido só fazendo companhia para o piloto e o copiloto. Quando foram entrevistá-la depois do pouso, ela disse que sua participação no voo foi somente como bagagem, como um saco de batatas.  Mas a imprensa e público não tavam nem aí pra decepção da moça e ela ficou instantaneamente famosa.

Amelia Earhart, 1928

Amélia não estava satisfeita, mas também não era boba. Assessorada por um dos coordenadores do projeto de travessia do Atlântico, o publicitário George P. Putnam, ela aproveitou a fama repentina pra se promover ao máximo. Escreveu um livro, viajou América a fora dando palestras, foi garota propaganda do Lucky Strike, virou editora da revista Cosmopolitan, lançou uma linha de roupas pra mulheres ativas e outra de bagagem, que aliás é vendida até hoje (quero!). E o que ela fez com esse dinheiro todo? Usou pra financiar mais viagens.

Amelia earhart malas

Ah! No meio dessa convivência intensa com Amelia, Geoge P. Putnam ficou apaixonadinho e a pediu em casamento. Cinco vezes. Na sexta vez, ela aceitou e no dia da festa ela entregou ao noivo uma carta que dizia assim:

“Quero que você entenda que não o prenderei a nenhum código medieval de fidelidade a mim e que tão pouco me considerarei presa a si desse modo.” Ui!

E em 1931, os dois se casaram e já no ano seguinte ela foi que foi voar por cima do Atlântico de novo, mas dessa vez no comando. E sozinha. Amelia partiu do Canadá e só foi parar na Irlanda do Norte. Aí sim ela se tornou a primeira mulher e a segunda pessoa a realizar a travessia voando solo.

Amelia Earhart multidão

E agora? Quem é que segura essa Amelia? Ninguém, rapaz. Daí pra frente, ela disparou na conquista de feitos históricos. Aqui tem alguns:

  • Agosto de 1932 – Primeira mulher a voar solo, sem parar de costa a costa dos EUA (só com uma bússola e um mapa rodoviário)
  • Janeiro de 1935 – Primeira pessoa a voar solo cruzando o Pacífico entre o Havaí e a Califórnia
  • Abril de 1935 – Primeira pessoa a voar solo de LA à Cidade do México
  • Junho de 1937 –  Primeira pessoa a voar do Mar Vermelho até a Índia

Amelia Earhart parade

A esse ponto, ela já se sentia mais do que pronta pra viver a maior aventura da vida: dar a volta ao mundo. Em maio de 1937, antes de completar 40 anos, ela e seu navegador Fred Noonan embarcaram num bimotor Lockheed L-10 Electra, partindo da Califórnia pra circunavegar o globo, se mantendo o mais perto possível da Linha do Equador. Eles passaram por 18 países, incluindo o Brasil (mais precisamente Natal e Fortaleza), Sudão, Senegal, Paquistão, Índia, Tailândia, Indonésia e Austrália. Depois de uma parada de dois dias em Papua Nova Guiné, Earhart e Noonan decolaram rumo à Ilha Howland, pra cruzar o Pacífico até o Havaí e finalmente de volta à Califórnia. Eram só 3 dias de viagem pra chegarem ao destino final. Mas aí é que tá: depois de saírem de Papua, eles desapareceram.

mapa amelia earhar

Um navio da guarda costeira americana estava posicionado perto da Ilha Howland para servir como contato e ajudar a dupla a se guiar. Depois de reportar tempo nublado e  falta de visibilidade, Amélia parou de ouvir o sinal de rádio do navio. Não demorou muito até que eles parassem de ouvi-la também. O governo americano gastou mais de 4 milhões(uma quantia exorbitante pra época) tentando encontrar Amélia Earhart, com buscas que uma área de 250 mil milhas quadradas. Mas até hoje,o desaparecimento da maior aviadora da história continua um grande mistério. Nunca ninguém achou qualquer vestígio que pudesse ser comprovadamente uma pista pra decifrar o que aconteceu com ela.

Como era de se esperar, surgiram teorias de todos os tipos a respeito do sumiço. Uma delas afirma que Amelia era espiã do Presidente Roosevelt em missão secreta rumo ao Japão, onde foi capturada e decapitada. Há quem diga ela voltou quietinha pros Estados Unidos, mudou de nome e de aparência pra aproveitar a vida como uma ilustre desconhecida. E numa versão bem mais divertida da história, ela deu um perdido em todo mundo pra viver com um pescador em uma ilha deserta.

Amelia Earhart em frente avião

Mas muito mais importante do que entender como ela desapareceu é aprender com o jeito que ela escolheu viver. A história de vida dela é um legado que vai além do empoderamento feminino. É sobre determinação, autoconfiança e autenticidade. Isso não vale pra só pras mulheres. Vale pra todo mundo.

“Decide whether or not the goal is worth the risks involved. If it is, stop worrying.”

Amelia Earhart

: )

Postado por Gabriela Alvarenga

Gabriela Outros Roteiros  Clique na fotita pra acompanhar a gente no Instagram.

 

Tagged , , , ,

A trilha do Pão de Açúcar ou como andar de bondinho de graça

O Pão de Açúcar é uma das maiores maravilhosidades da Cidade Maravilhosa. Mas o preço que se paga para pegar o bondinho até lá em cima não é exatamente maravilhoso não. São R$71 que pesam no bolso de quem viaja sem poder esbanjar. Mas, se esse é seu caso, nem pense em tirar o Pão de Açúcar da sua lista de passeios cariocas. Dá pra subir o Morro da Urca por uma trilha e pagar nada mais que R$20 pra descer de bondinho ou esperar até as 21h e descer de graça. Você só vai precisar de disposição e um talvez um pouco de paciência.

Pra explicar direitinho, o Pão de Açúcar é a pedra e o Morro da Urca é o vizinho dela. E você vai subir  pelo meio dos dois.

Ttrilha morro da urca pão de açúcar

O acesso à trilha é pela pista de caminhada conhecida como Caminho do Bem-te-Vi, ou Pista Claudio Coutinho, que fica no canto esquerdo da Praia Vermelha.  São mais ou menos 40 minutos até lá em cima, se você for  direto pro Morro da Urca. A trilha tem uns bons pedaços íngremes, mas também tem uns degrauzinhos e é super possível  de ser feita até por crianças e pessoas que não fazem exercício físico. A mata não é  fechada e tem espaço pra recuperar o fôlego no meio do caminho.

Trilha do Pão de Açúcar

Num certo ponto, já quase lá no alto, o caminho se divide em dois. Pro lado direito a mata se fecha e a trilha te leva ao Pão de Açúcar. Dá até pra subir na pedra. É muito legal pra ver o bondinho de um ângulo diferente e admirar a vista por alguns minutinhos antes de voltar e seguir pro lado esquerdo.

vista pão de açúcar

Onde está o Wally também conhecido como Giovana?

Olha só  que lindeza:

Depois de mais um trechinho à esquerda,  você chega ao Morro da Urca e lá tem espreguiçadeiras pra esticar as pernocas, além de banheiros, bebedouros e algumas opções de lanchonete pra matar fome, bar pra brindar sua chegada e até uma loja de Havaianas. Também tem o recém inaugurado restaurante Cota 200, com um cardápio bem brasileiro.

pão de açúcar turistas

Trilha do Pão de Açúcar 2

Eu aprendi essa trilha há uns bons anos com o meu padrinho. É um dos meus passeios preferidos e, sempre que eu posso, obrigo alguém a fazer comigo, rs. A mais recete vítima foi minha prima Giovana, que tá camuflada na foto ali em cima.

Enfim, a dica é começar a subir mais ou menos uma hora antes do pôr do sol pra ver o céu colorido com o Cristo Redentor e as montanhas lá no fundo.

590dd153-0a20-436e-a0a0-a7ff44d730b5

Quando escurece, você fica meio hipnotizado com as luzes refletindo na Baía de Guanabara. Dá o play aqui pra ver:

Mas aí é  que é preciso ter atenção com os horários, porque tanto o portão da trilha quanto a bilheteria lá de cima fecham as 19h30. Se passar disso não dá mais pra voltar pelo mato nem pagar os R$20 pra descer de bondinho. Você vai ter que esperar até as 21h pra ir de graça no bondinho que eles oferecem aos distraídos ou pão duros de plantão. No verão é tão gostoso ficar lá em cima que você nem vai ver o tempo passar, mas no inverno vale a pena pagar pra descer. O vento é forte, escurece mais cedo e a espera parece bem mais longa.

Ah, detalhe: subindo pela trilha você não tem direito a pegar o segundo bondinho até o topo do Pão de Açúcar. Então, se você quer muito apreciar o Rio lá do alto e ter uma visão 360º, pode investir no ingresso porque é um dinheiro muito bem gasto. Tem meia entrada pra seniors e pra quem tá entre os 6 e 21 anos de idade. Pra comprar seu ingresso, é só clicar aqui. Os pequenos abaixo de 6 anos sobem de graça.

 

Ah, lembre-se de:

-Levar água

– Passar repelente

– Pelamordedeus não jogar lixo na trilha

– E não alimentar os miquinhos  porque eles são os gremilins da Mata Atlântica

É isso! Bom passeio pra você.

: )

Postado por Gabriela Alvarenga

Gabriela Outros Roteiros  Clique na fotita pra acompanhar a gente no Instagram.

Tagged , , , , , , , ,