Dica de Restaurante Brasileiro em Nova York | ou o efeito que um simples prato de arroz com feijão pode causar em um brasileiro com saudades de casa

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Post especialmente escrito pelo meu melhor amigo Feijão, Feijola, Feijas, às vezes Guilherme, internacionalmente conhecido como Gill.

Batendo perna sozinho por NYC, ele descobriu o Restaurante Emporium Brasil e saboreou um jantar que ele nunca mais vai esquecer. Dá uma olhada na história dele:

 

O viajante

Meu nome e Guilherme, mas o pessoal daqui me chama de Gill. Meu primeiro chefe americano nunca conseguiu pronunciar meu nome. Até e que um dia me perguntou se eu tinha algum apelido. Não estava afim de dizer meu apelido da Faculdade (Feijão! Seria então Mr. Bean? Ahahah!), resolvi então dizer que poderia me chamar de “Gui”. Então ele disse: “Okay Gill. Gill from Brazil.” Rimou e pegou. Não exatamente o que havia dito, mas tudo bem… Dai pra frente, ficou Gill mesmo.

Moro nos Estados Unidos desde de 2009. Vim apenas para fazer um intercâmbio de 6 meses na Disney e um curso na University of Central Florida. Realmente um dos 6 meses mais mágicos da minha vida. Depois de concluir o intercâmbio e o curso, resolvi ficar na terra do Tio Sam para conhecer melhor a cultura americana. Um pouco se tornou muito e acabei me apaixonando por esse lugar. Não é perfeito mas, como no Brasil, também tem muita coisa boa de se orgulhar. Trabalhei em vários lugares. Desde de motorista, garçom até designer gráfico, responsável por uma indústria de algodão e relações-públicas para uma loja de departamentos na Flórida. Os anos foram passando, o inglês melhorando, oportunidades aparecendo, até que me reencontrei em um dos meus mais antigos ofícios que iniciei ainda quando morava no Brasil: na área da educação. Fiz desse reencontro minha carreira aqui nos Estados Unidos.

Hoje moro no estado de New York numa cidade chamada Watertown, a 20 minutos da fronteira com o Canadá. Sim, aqui faz muito frio. Trabalho em uma faculdade chamada Jefferson Community College. Sou Coordenador de Programas de Liderança e Orientação para novos alunos e também sou professor de uma das aulas mais divertidas da faculdade, chamada Disney Leadership.

Recentemente, precisavam de um profissional para recrutar alunos em New York City. Me candidatei. Mal sabia o que essa viagem me guardava. Reservei hotel, van, material promocional da faculdade e pé na estrada.

A viagem

Quando cheguei a NYC não acreditei onde estava hospedado.

onde comer arroz e eijão em nova york nyc

Sem querer, eu tinha reservado um hotel numa rua chamada Little Brazil, próxima do cartão postal Time Square, um dos quarteirões mais famosos e agitados do mundo. O hotel tinha muitos hóspedes brasileiros. Era gente falando português pra cá, português pra lá… Meu amigo, me senti em casa! Quando percebi já estava ajudando um casal de brasileiros a trocar de quarto na recepção. Nada melhor do que se sentir útil e se reconectar com gente da minha pátria amada.

Depois de deixar as malas no quarto, fui trabalhar e recrutei 6 alunos. Missão comprida! Então, resolvi me divertir nessa cidade gigante. Van no estacionamento. Isso mesmo, fui explorar esse mostro a pé! Bateria do celular carregada, casaco de frio, água, e vamos lá! Tirei muitas fotos. Nada melhor do que rever fotos de lugares mágicos.

Andando pela Little Brazil, percebi bares e restaurantes brasileiros. Visitei alguns deles como o Ipanema Restaurant e Via Brasil. Entrei, conversei, sentei no bar, olhei, mas apesar da minha saudade de casa, não me conectei naqueles ambientes naquele dia. Até que entrei num pequeno e aconchegante lugar chamado Emporium Brasil.

O jantar

No Emporuim Brasil, fui muito bem recebido na porta com um belo “Olá! Tudo bem?”. O senhor retirou meu casaco, perguntou de aonde eu era, o que estava fazendo na cidade. Como é bom bater papo em português.

A feijoada é um dos pratos mais pedidos o Emporium Brasil, mas eu queria mesmo era a comida nossa de todo dia.

Quando percebi eu já estava sentado, tomando um bom cafezinho brasileiro. Não o sei porque mas não estava afim de olhar as opções do menu e pedi logo um arroz, feijão, carne, farofa, salada e um suco de laranja natural da fruta. Sabe o que o Karllo disse? “Sem problema. Já trago pra você!”. Karllo era o nome do garçom gente fina. Sem que eu precisasse pedir, Karllo me trouxe bife acebolado e picanha.

Eu estava com tanto desejo de comida brasileira que nem procurei o preço no cardápio.

Karllo e outros garçons vinham até a minha mesa de vez em quando para conversar. Conheci um chileno que falava português melhor do que eu. Muito interessante! Ele disse que ama a cultura brasileira e hoje valoriza mais sua própria cultura. Isso mesmo. Compartilho do mesmo sentimento dele. Entendi o quanto a nossa cultura é maravilhosa e única depois de 8 anos de Estados Unidos.

suco de laranja de verdade em nova york
Quem mora por aqui entende o valor de um suco de laranja feito na hora.

Não estou dizendo que é preciso sair do Brasil para valorizar nossa cultura. Mas sentir saudade ajuda lembrar de todas as coisas boas que deixamos pra trás.

Depois de comer uma excelente refeição brasileira num lugar super aconchegante, dei abraços em todos no restaurante.“Não esqueça de nos visitar na próxima vez que vier com sua namorada gringa, tenho certeza que ela vai adorar nossa comida!”, disse Karllo. Paguei a conta e fui explorar NYC.

O efeito

Quando saí do restaurante, percebi que estava diferente. Não só eu, mas tudo e todos a minha volta.

Fui caminhando tão abastecido de brasilidade, que as pessoas na rua me olhavam diferente. Quando percebi já estava dizendo boa noite pra desconhecidos, recebendo olás e olhares sorridentes, tirando fotos para os outros. Aí sim, me senti bem-vindo em NYC!

Precisei me sentir em casa para poder me sentir do mundo.

Conhecei uma família indiana, nos ajudamos com as fotos e a sintonia foi tanta me convidaram para ir a um show de comédia, já que tinham um ingresso sobrando. Morri de rir não só dos indianos mas também nos comediantes que apresentaram naquela noite. Não sei se isso teria acontecido se eu não tivesse saído pra jantar na Little Brasil.

A comida tem esse poder. Ativa a memória afetiva e faz a gente se lembrar de quem é.

É difícil comparar culturas. Seria o mesmo que comparar bananas e maçãs. Mas para trabalhar e crescer aqui nos Estados Unidos, eu tive que aprender a ser extremamente prático e objetivo. “Responda apenas o que te perguntam.” “Vá direto ao ponto.” “Não se exponha tanto.” É cultural deles, principalmente em ambientes de trabalho. Isso me ajudou muito profissionalmente, me deixou mais focado e maduro, mas sinto que algumas vezes me distancio do meu lado espontâneo, sociável e aberto às pessoas. E foi esse lado que meu jantar brasileiro despertou.

Faz um bem imenso sentar à mesa, sentir os sabores que você conhece desde a infância acompanhados de uma boa conversa. Como eu estava em NYC sozinho, meu papo foi com os garçons do Emporuim Brasil. E, mesmo sem intimidade, é uma experiência muito boa conversar com gente que nunca te viu, mas que de alguma forma, te entende.

A dica que que deixo pra quem está procurando comida brasileira em NYC não é “evite os restaurantes x e y” ou “só coma ali ou aqui”. O mais importante é explorar a cidade a pé e simplesmente achar um canto onde você se sinta bem. Os lugares que o Gill from Brazil estava precisando naquele dia podem não ser os que você precisa. Mas, se você está viajando pelos Estados Unidos e já está sentindo falta da nossa comida, ou se mora aqui e está com saudade de casa, indico 100% o Empório Brasil. Se for, procure o Karllo e o chileno, mande um abraço meu pra eles e diga que aquele simples prato de arroz com feijão e carne teve mais significado pra mim do que eles imaginam.

 

O endereço do Emporium Brasil Restaurant é:
15 W 46th St
New York, NY 10036
USA

pra conferir o menu e fazer reserva aqui pelo site deles.

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  • Nicole Tiktin

    adorei! que delicia esse sensação de sair leve e feliz! até eu me senti assim lendo o texto!

    • Gill Moura

      Fico super feliz que saiu leve e feliz do texto! 🙂

    • Que coisa boa, Tik! 🙂

  • Thiago Carvalho

    “PRECISEI ME SENTIR EM CASA PARA PODER ME SENTIR DO MUNDO.” Acho que não poderia ter um resumo mais perfeito. Parabéns pela bela forma de escrever e por compartilhar um momento tão especial. Adoramos.

    • Gill Moura

      Obrigado Thiago Carvalho! Devo meus agradecimentos a Gabriela Alvarenga que me ajudou a colocar minhas ideas no lugar antes de escrever o texto. Realmente só pude enxergar as pessoas nas ruas em NYC depois que reconectei comigo mesmo. Fico feliz que gostaram! Abraços!

    • Que bom que vocês gostaram, Thiago. Obrigada!
      É legal demais quando algo que faz sentido pra gente também faz sentido pra outras pessoas!