7 coisas que você pode fazer pra viajar pelo brasil e combater o preconceito ao mesmo tempo

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Esse blog aqui existe, basicamente, porque eu acredito no potencial transformador que toda viagem tem. E algumas das (muitas) coisas que esse nosso país anda precisando com urgência são iniciativas que nos transformem e nos ajudem a diminuir preconceitos que nunca fizeram sentido e que não deveriam ter lugar no mundo de hoje.

Por isso, listei aqui algumas indicações pra ajudar você viajar de forma mais consciente, se abastecer de pensamentos de igualdade e dar uma força pra quem tem coragem de empreender no turismo autêntico. São inciativas que contribuem para diminuir um dos preconceitos mais enraizados na cultura brasileira: o racismo, especificamente contra a nossa população negra. Se você tem vontade de viajar pra entender o Brasil de verdade, olha só o que você pode fazer pra começar.

1. Se cadastrar na DIASPORA.BLACK – plataforma de hospedagem sem preconceito

turismo consciente conta o preconceito
foto: @diaspora.black

Se tem um tipo de gente que eu admiro é esse povo que transforma experiências negativas em soluções pra uma comunidade inteira. É bem o caso do Carolos Humberto, criador da DIASPORA.BLACK.  Depois de muito sofrer preconceito, tanto como hóspede em hotéis, quanto como anfitrião em plataformas de hospedagem, ele se juntou a mais dois sócios, o André e o Antonio, para criar uma plataforma de acomodação compartilhada focada da comunidade negra. A ideia é garantir acolhimento e segurança para viajantes negros ao redor do mundo, mas qualquer pessoa de qualquer etnia que sinta empatia pela causa pode se cadastrar para receber e ser recebido.

Hoje a plataforma disponibiliza hospedagem em 30 cidades no Brasil e em mais 12 países. Além da acomodação compartilhada, a DIASPORA.BLACK também oferece experiências turísticas que fortalecem a cultura e geram renda para a comunidade negra. As dicas abaixo são algumas dessas experiências.

2. Conhecer outra São Paulo com CITY TOUR SP NEGRA

A cidade com maior população negra do Brasil está cheia de histórias que não se aprende nos livros da escola. Com o City Tour São Paulo Negra, a Black Bird Viagem assume a missão de honrar lugares e personagens históricos que foram inviabilizados pelo racismo. Caminhando entre o Bairro da Liberdade e o Largo do Arouche, você vai entender a verdadeira dimensão do legado da escritora Carolina Maria de Jesus, do jornalista, advogado, poeta e patrono da abolição Luiz Gama e do arquiteto Joaquim Pinto de Oliveira, o Tebas. Seus guias, Guilherme, Luciana e Heitor também se aprofundam na história da migração africana atual, na música e nos movimentos negros modernos.

O City Tour SP Negra acontece uma vez ao mês e eu não perderia, se fosse você.

3. Fazer a Caminhada Chico Rei em Ouro Preto

refaça os passos de Chico Rei em Ouro Preto

Você já tinha ouvido falar do monarca do Congo que foi capturado trazido para o Brazil pra ser escravo das minas da antiga Vila Rica? Contam que, com muito custo, ele conquistou sua própria alforria e depois saiu comprando conterrâneos para poder libertá-los. Uns dizem que Chico Rei é uma lenda, outros juram de pé junto que ele existiu. Se eu fosse você, arrumaria as malas rumo a  Ouro Preto pra descobrir por conta própria. Marque um horário pra refazer os passos do rei negro aqui.

4. Desvendar a Pequena África no Rio de Janeiro

Estátua de Mercedes Baptista – primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio. Foto: Kelvin

Longe dos cartões postais icônicos da Cidade Maravilhosa, a guia Gabriela Palma, da Sou + Carioca, vai conduzir você durante três horas de caminhada por uma região conhecida como a Pequena África do Rio de Janeiro. Além do Cais do Valongo, um sítio arqueológico que revela o que restou de um dos maiores mercados de escravos do Brasil, e outros marcos da história negra, você também vai conhecer a Pedra do Sal, onde nasceu o samba carioca (e onde, aliás, tem uma roda de samba de respeito, toda segunda-feira). É nesse lugar que os escravos libertos fizeram morada depois da abolição e se fortaleceram para criar essa cultura que é uma parte tão icônica do Rio e do Brasil inteiro.

5. Passear pelo Recife Malungo

Malungo era a palavra usada entre os escravos recém chegados para denominar outras pessoas que vierem no mesmo navio negreiro. Com o tempo, a palavra acabou ganhando outros sentidos como companheiro, conterrâneo, camarada, ou pessoa da mesma idade.  No tour Recife Malungo, você vai conhecer o Centro do Recife sob um olhar diferente, por uma perspectiva negra e afro-religiosa e, claro, malunga.

6. Pedalar pela Salvador Histórica

como viajar pelo brasil combater o preconceito ao mesmo tempo

Além de conhecer Salvador de uma maneira consciente, original e cheia de personalidade, com o La Frida Bike Tour você apoia um movimento cheio de projetos sensacionais de mobilidade urbana, arte, conscientização e empreendedorismo para mulheres negras. O passeio termina na sede da La Frida, com música e cerveja para descontrair.

7. Visitar um Quilombo

Nenhum lugar na história desse mundo recebeu tantos escravos quanto o nosso país. Foram cerca de 1.700.000 pessoas sequestradas da África para serem vendidas e escravizadas no Brasil, alimentando um sistema que durou mais de 300 anos. Durante esse tempo, muitos escravos conseguiram escapar e formaram comunidades isoladas e escondidas no meio do mato. Algumas dessas comunidades existem até hoje e recebem visitantes que querem ter contato com a cultura quilombola e entender melhor esse lado da nossa história. Se você é uma dessas pessoas, aqui vão alguns lugares que você pode visitar:

– Quilombo de Marinhos em Brumadinho.

– Comunidade Kalunga em Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros.

– Parque Memorial do Quilombo dos Palmares, a 87 kms de Maceió. 

Não dá pra falar de quilombo sem falar de Zumbi e se você quer aprender mais sobre ele, eu recomendo esse vídeo aqui:

 

Quem me inspirou a escrever esse post foi a Joana Mendes, a pessoa mais engajada que eu conheço e que sempre me cutuca com verdades necessárias que me fazem pensar sobre meu mundinho almofadado de privilégios de gente branca. Obrigada, Joana.

 

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